terça-feira, 3 de julho de 2012

A Filha da Minha Mãe e Eu - Maria Fernanda Guerreiro


Título: A Filha da Minha Mãe e Eu
Autora: Maria Fernanda Guerreiro
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
A filha da minha mãe e eu conta a história do difícil relacionamento entre Helena e sua filha, Mariana, que,  descobrindo que está grávida, se dá conta de que, antes de se tornar mãe, é preciso rever seu papel como filha, tentar compreender o de Helena e, principalmente, perdoar a ambas. Inicia-se, então, uma revisão do passado – processo doloroso, mas imensamente revelador, pautado por situações comoventes, personagens complexos e pequenas verdades que contêm a história de cada um. 
Tema: filha está grávida e faz uma análise de sua relação com sua mãe. Sentimento: que o livro não vai durar nada em minha mão, que largaria ele logo no primeiro capítulo. Meu sentimento era que nunca poderia ser um livro que eu leria. Nunca estive tão enganada. Logo nas primeiras páginas me vi presa no livro e só não o terminei logo porque ele era meu livro de metrô, enquanto em casa eu lia a bíblia do As Crônicas de Gelo e Fogo.

Para início de conversa, logo no primeiro capítulo incrivelmente identifiquei minha mãe na mãe da Mariana. Não todas as partes, mas no sentido de que a mãe era dura, parecia gostar mais do outro filho por ele ter mais problemas e menos autoestima, por defendê-la sempre. Como faz pouco tempo que sai da casa de minha mãe tá, já tem seis meses, mas sou filhinha de mamãe mesmo e estou morando em outro Estado, esta semelhança me conquistou. 
- Pois fica sabendo que ninguém encosta a mão em filho meu!!! Da próxima vez que alguém tentar te bater, você revida, está me ouvindo?! Você devia ter dado um chute nela e ir direto para a diretoria contar tudo! Uma professora não pode bater num aluno! - minha mão gritava enquanto me sacudia cada vez mais, fazendo meu corpo parecer um boneco de Olinda.
[p. 20]
Não só a semelhança, mas as contrariedades. Acho isto muito importante porque quando faço uma análise de minha relação com minha mãe, também percebo uma série de contrariedades. E acho que toda mãe é contraditória. Nem tudo é flores em qualquer relação entre filhos e pais. Mesmo nos amando, claro que os pais cometem erros, ficam com raiva de nós, etc...

Enfim, voltando ao livro: as relações familiares, entre pais e filhos, entre irmãos, foram mostradas da melhor forma possivel, de forma humana, com seus altos e baixos constantes. Todos os dramas foram bem narrados e em quase nenhum momento fiquei achando forçado ou idiota, como costumo achar em histórias mais psicológicas como esta. Vou admitir que quando o tema "droga ilegal" e "vício" surgiu, fiquei receosa, mas foi neste momento que percebi que a autora soube escrever muito bem o livro. Os personagens foram muito bem desenvolvidos, com suas falhas mundanas e toda a bagagem de sofrimentos e alegrias.

A verdade é que quando o livro fala que ele vai deixar o leitor sensível, não está brincando. Lendo o livro, pensei sobre minha mãe, sobre minha família, meus irmãos, sobre meus amigos e seus problemas, os quais partilhei parte. O livro reuniu situações que aconteceram comigo e com amigos meus, quando estava perto, então eu sei o quão intenso foi a narrativa.

Até mesmo agora, escrevendo a narrativa, tentando ser mais racional que emotiva, não estou conseguindo. Outra verdade é que eu li o livro na momento certo. Sabe quando a literatura dar a resposta, ou pelo menos o caminho para ela, para situação em que você se encontra? Foi isto que aconteceu. 

Em suma, o livro vale muito. Até a capa é linda e combina em tudo com o livro. Acho que a autora merece parabéns pois conseguir finalizar um livro nesta temática sem apelar para sensacionalismo barato, é incrível. 

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